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Desemprego e os passarinhos

Desde quando fui mandado embora no último dia 6 – algo que aconteceu pela primeira vez na minha vida, já que eu sempre acabei pedindo pra sair nos empregos que passei – este é o primeiro texto que eu escrevo. Outro fato curioso é que talvez esse texto venha a ser lido por muito mais gente do que as matérias que eu publicava no site que eu trabalhei, de tão “grande” que ele era.

Pois é. Merdas acontecem. Para uns mais e para outros menos. E a vida segue e eu estou desempregado de novo em uma das épocas na qual todo mundo só quer ficar longe dos escritórios e trocar suas cadeiras bacanas na frente de um computador por uma cadeirinha-amarela-de-plástico-com-propaganda-de-cerveja na frente do mar.

Ficar sem trabalhar me deixa burro. Eu paro de escrever, paro de ler e paro de pensar. E eu não faço nada para melhorar isso, admito, já que também fico mais preguiçoso. Por isso, quando tive a ideia de colocar no papel duas linhas que estão no começo deste texto, às 6 da manhã de hoje, não hesitei em ligar o computador e começar a digitar.

Quando eu fico sem trabalhar, algumas coisas começam a me irritar ainda mais do que quando eu trabalho. Acordar cedo é uma delas. E hoje alguns passarinhos que têm um canto mais parecido com gargalhadas de velha – se alguém conhecer a espécie, por favor me fale – me acordaram. Fiquei puto, claro. Pensei em gravar o som do canto, ou da risada deles, mas já era tarde quando criei forças para fazer isso. Neste meio tempo, eu só imaginava um monte de gente – ou de passarinhos mesmo – rindo da minha cara por eu estar mais uma vez sem um emprego e com a minha vida empacada novamente.

Essa época do ano é meio que dividida em três fases: meu aniversário, meio alegre e que sempre passo com meus amigos depois de sempre ter um almoço agradável com meu pai; o Natal, sempre triste, e que neste ano, graças a algum chinês, ganhou uma decoração completamente nada a ver, com uma cor azul extraterrestre (repararam nisso? cadê as luzes vermelhas e amarelas?); e o ano novo, sempre festivo.

Amanhã é meu aniversário e é meio inevitável que um balanço sobre minha vida seja feito. O Natal também e o ano novo também estão chegando e acho que este balanço é meio que comum muita gente fazer. O meu só é um pouco mais crítico e pesado, já que eu, pra ajudar, ainda fico mais velho nessa época do ano.

Neste dia 22 de dezembro de 2010 eu completarei 26 anos. Já estou mais para os 30, uma idade mais “adulta”, do que para os 20. Iniciarei meus 26 anos como já foi dito aí em cima: desempregado e burro. O ano de 2011 certamente será diferente. Isso porque, eu não tenho plano nenhum e não tenho nenhuma expectativa. De uns dez anos pra cá, eu sempre tive algo bem concreto planejado para o ano seguinte. Mas para 2011 não tenho nada. E talvez isso seja bom, já que até hoje as coisas planejadas não deram muito certo. Farei o contrário de tudo que fiz até hoje. Se as coisas boas mudaram tão rápido para ruins – há um ano eu tinha uma pseudo-namorada, era um empresário com um futuro de sucesso e meses depois não tinha mais nada -, por que as coisas ruins não podem virar boas rapidamente também?

Vamos ver o que acontece.

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