Tá escuro
Tá escuro.
Mas amanheceu.
Me escondi atras da cortina fechada.
Escrevendo sob a luz que vem da tevê.
Passei o dia procurando o que ver.
Nada de bom. Ok, até ri.
Escureceu lá fora.
Veio a madrugada. Veio a manhã. Veio a insônia.
Veio a manhã. Vieram as olheiras. Veio a semana seguinte. Manteve-se a
escuridão. Apague a luz, gritei.
Onde você dormiu naquela noite?
No sonho você aparecia.
Na frente do espelho está muito claro. O cabelo uma bagunça. Já tive o
cabelo grande. Tá demorando pra crescer. Cortei faz mais de dois
meses, porra. Por que não cresce mais a merda do cabelo?
No sonho ele fica grande.
E nada de você aparecer.
No sonho você estava lá.
Apaga a porra da luz!
Onde você estava naquela noite?
A casa sumiu no sonho. Não sobrou nem a tevê. Os ratos se foram. Só não tão rápido quanto os amigos.
O sonho acabava.
A noite não.
E você não voltou.
A luz se acendeu. O corpo acendeu. E, de novo, a alma gritou…
Apaga a porra da luz!
Um dia vai que volta.
Para onde foi?
Para onde levaram o sorriso?
Para onde levaram o entusiasmo?
Estaria num fundo de garrafa escondido?
Ou se esvaindo como as cinzas de um cigarro?
Para onde levaram o amor?
O que fizeram com aquela animação?
Estaria buscando o impossível,
vivendo apenas uma ilusão?
Para onde levaram os sonhos?
Para onde levaram a ferida?
Estaria atrás de um fim
para iniciar, enfim, sua vida?
Para onde levaram sua alma,
vagando, sem rumo, por aí?
Para onde foi, me pergunto,
ou será que nunca esteve aqui?
Sobre avestruzes e espelhos ou aquele da auto-análise
E é bem verdade que a única certeza que temos na vida é a morte. Pra mim, a segunda é que tenho medo da vida.
Avestruzes, quando assustados, cavam um buraco no chão para enfiar a cabeça. Sacanas espertos e suas penas. Os avestruzes também são animais muito depressivos e com tendências suicidas. Curioso, não?
Bem, ainda não tive o dom de sair com uma britadeira pelas ruas para cavar um buraco toda vez que me sinto ameaçado. Eu simplesmente travo e não consigo sequer conversar.
Expectativas
Vai.
Abra os olhos.
Acorde.
Levante.
Lute.
Conquiste.
Supere.
Impressione.
Vença.
Todos estão contando com você.
Seu pai, sua mãe, seus avós, seu tio, sua tia, seu vizinho, seus primos, seu cachorro, seu gato, seus amigos, seu pássaro preto, seu vizinho, o motorista do ônibus, o dono do bar, o pizzaiolo, a puta, seu chefe, o gari…
Desemprego e os passarinhos
Desde quando fui mandado embora no último dia 6 – algo que aconteceu pela primeira vez na minha vida, já que eu sempre acabei pedindo pra sair nos empregos que passei – este é o primeiro texto que eu escrevo. Outro fato curioso é que talvez esse texto venha a ser lido por muito mais gente do que as matérias que eu publicava no site que eu trabalhei, de tão “grande” que ele era.
Pois é. Merdas acontecem. Para uns mais e para outros menos. E a vida segue e eu estou desempregado de novo em uma das épocas na qual todo mundo só quer ficar longe dos escritórios e trocar suas cadeiras bacanas na frente de um computador por uma cadeirinha-amarela-de-plástico-com-propaganda-de-cerveja na frente do mar.
Mais Um Porre
Amor embriagado ou Aquele do Homem Enganado
Culpada

Te culpo, sim, por eu estar sorrindo.
Te culpo ainda mais pelo que estou sentindo.
Se com cada palavra minha, certa ou errada,
fosse possível encurtar a distância dessa longa estrada;
te consideraria ainda mais,
culpada.
O Piano e a Casa Vazia
E lá foi ele puxar o velho banco do piano, lugar que ele sempre sentava para pincelar as primeiras linhas de uma canção que nunca ficou pronta. A mancha do copo de uísque na madeira lembrava de outras noites que ele havia estado lá. Um sorriso amarelo surge em seu rosto de olhos cansados, de linhas que indicavam sua vida sofrida, ao notar que nenhuma mancha de suas lágrimas haviam ficado por ali.
O Grande Gregório: Conhecendo o Monstro
O Grande Gregório resolveu ir viajar em um fim de semana prolongado que se apresentou como uma luz no fim do túnel, após uma semana conturbada onde ele não conseguia segurar seus anseios dentro de sua cabeça, que funcionava de forma tão “tranqüila” como um tsunami.
Uma viagem para relaxar. Era tudo que ele precisava. Sair daquele meio que tanto lhe incomodava, ver o mundo através da janela de seu carro e não através da janela de um alto edifício de concreto, que só revelava mais edifícios de concreto. Gregório ficava feliz quando via uma nuvem com formato engraçado passando pela janela, já que esse era o maior contato com a natureza que ele tinha a seu alcance.





